quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Difícil querer definir amigo

Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.

Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o alimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.

É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia
pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.

Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor, náusea, cólica gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.

Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos.

Amigo é multimídia. Olhos....

Amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. é lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.

Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação.

Amigo é quem te ama "e ponto".

É verdade e razão, sonho e sentimento.

Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cartas de Amor... Despedida.

- Você vai aprender a viver sem mim, eu sei que vai. Ah, e... Se eu esqueci alguma coisa minha por aqui, por favor, avise-me depois. Tchau.

Ela colocou a mochila nas costas e saiu antes que ele pudesse dizer uma ou duas palavras. Bateu a porta e sumiu logo após a primeira curva da estrada. Nos olhos dele, milhares de lágrimas contidas ameaçavam saltar para fora a qualquer momento. Não, ela não sabia o que estava dizendo. Ela não imaginava que jamais ele aprenderia a viver novamente sozinho ou com outra garota qualquer. Era tudo tão completo, tão perfeito e tão feliz que, sem ela, nada restava. Nada.

Mas finais são sempre assim, tristes e frios. Em alguns momentos de lucidez, ele lembrava de certos filmes que havia visto, livros que havia lido e músicas que havia ouvido. Todos falavam sobre abismos, sobre amores despedaçados, sobre dores agudas, sobre estradas sem fim. Mas, dentro da ficção, tudo sempre tem cura: um outro amor, uma reconciliação, um novo brilho de presente aos olhos. Na realidade, tudo é diferente. Ela não voltaria, ele jamais encontraria alguém que pudesse substituí-la e talvez ele esquecesse, com o passar do tempo, coisas simples como andar ou falar, mas jamais esqueceria a sensação de estar ao lado dela.

O problema é que ela sabia demais. Sabia sorrir, brigar, escrever, contar histórias, chorar baixinho e ouvir as melhores músicas. Além disso ela era linda, linda além da conta, uma mistura de elementos doces, ásperos, cítricos e delicadamente aromatizados. Ela sabia bater o pé, impor suas vontades, perder a compostura e ainda assim manter aquele olhar inexplicavelmente sedutor. Maldito olhar, maldito sorriso. Ele tinha caído em todas as armadilhas, sem exceção. Para ela, era apenas mais um - um número, uma vítima, um degrau a ser superado.

Com a cabeça encostada na mesa, ele se lembrou que ainda morre-se por amor, por mais que a postura contemporânea tente absorver certos ditos poéticos. Decidiu, então, morrer um pedaço, necrosá-lo e extirpá-lo do próprio corpo, mesmo sabendo a quantidade de sangue que isto lhe custaria. Só assim poderia trilhar os caminhos de sua própria estrada, ainda que com um enorme buraco cavado no peito. Esta parecia a única saída no meio de tanta amargura: aprender a viver sem aquela carne, suportando apenas as marcas do ferimento.

Um corte sem cicatriz, que vez ou outra inflamava. A cada inflamação, o fogo cortante partia ao meio suas vísceras. Mas ele sabia como sobreviver, apesar de ferido. Ferido e sem ela.

// Vanessa

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Fare Well My Brother!

Daniel Alcântara * 29/11/1983 + 16/10/2008

Não sei como começar a dizer a dizer algo que nunca pensei que iria ter de dizer tão cedo. Não sei descrever a minha dor. Não ouso mensurar a perda.

Só sei que hoje quando acordei com o telefonema do Antonio, meu padrasto, dizendo que viesse urgente para casa do Daniel, ajudar a levá-lo ao hospital, porque ele estava desmaiado no banheiro, não me passou pela cabeça, em nenhum momento, que isto fosse mais que um desmaio.

Quando cheguei lá, dois homens já estavam carregando ele pela escada. Fomos para o hospital, que ficava apenas uma quadra de distância de sua casa, e quando o colocaram na sala de emergência, uma técnica de enfermagem demonstrou completa falta de sensibilidade e humanidade quando disse “esse aí já era!” na frente do Antonio.

Tentaram de tudo para reanimá-lo, mas seu coração não conseguia responder por mais do que alguns segundos. Quando a médica nos chamou para dar a notícia de que ele havia falecido, eu entrei em piloto automático. Em nosso desespero, nem tínhamos consciência de que quando chegamos a sua casa, ele já estava morto.

Meu irmão. Meu único irmão de pai e mãe. Irmão de uma vida inteira. Irmão de muitas experiências. Irmão caçula. Meu irmão, de repente, está morto! Eu o velei e enterrei seu corpo, e até agora, não acredito que isso aconteceu.

O médico legista identificou dois infartos. Um que ocorreu por volta de duas semanas atrás, e este último, fulminante, que dilacerou seu coração e lhe tirou a vida. Entre estas duas semanas ele reclamava de cansaço em excesso e dores no peito e na barriga. Todos nós recomendamos que ele fosse ao médico, e, no entanto, ele só foi à véspera, e se recusou a ir à emergência porque já tinha exames marcados.

Ninguém sabe como estou sofrendo, e nem eu mesmo sei o quanto ainda vou sofrer. O fato de eu ter dado carona a ele no dia anterior é ao mesmo tempo alívio e culpa - pois me deu a graça de ficar um tempinho perto dele antes do fim – mas me esmaga por dentro não ter um sexto sentido que me impulsionasse a perceber o quanto ele estava se sentindo mal.

Depois que ele saiu de nossa casa, sempre fez questão de mostrar que estava bem, que estava no controle. Sempre foi muito orgulhoso, e teve muitos amigos fiéis. Por isso nunca mais se abriu comigo, e nunca soube de nada por outros. E só fiquei sabendo que estava doente além do normal quando ele ligou para o nosso pai, dizendo que quase não consegui subir as escadarias no prédio onde morava. Ele resolveu pedir ajuda para quem estava mais distante, e não tinha como ajudá-lo na mesma hora, mas por isso ligou para nossa mãe e contou sua preocupação com o Daniel. E ela, que estava brigada com o filho desde quando ele saiu de casa, me perguntou, para minha surpresa, mas eu só soube dizer que ele me dissera horas antes que havia marcado mais de quinze exames a pedido do médico.

Eu me sinto muito, muito culpado. Ele era meu irmão mais novo. Era minha obrigação cuidar dele. Por mais independente que ele fosse, eu sempre deveria procurar saber como ele estava. Durante meses ele estava trabalhando na mesma empresa que eu, mas nós pouco conversamos. O ritmo do trabalho em um banco é implacável. Por causa dessa droga de crise financeira ele estava com medo de perder o emprego, mesmo sendo o melhor na sua área.

Não escrevo muito sobre ele, que teve toda uma vida própria, e bem mais intensa que a minha. Ele tinha várias bandas de rock, milhares de amigos, e uma filha maravilhosamente linda, que vou cuidar como se fosse minha filha, como sempre cuidei e protegi nos momentos em que ele não pôde estar por perto.

Em seu último dia no banco, ele estava na copa, contando ao pessoal como eu costumava brincar com ele quando éramos crianças, de que éramos de outro planeta e que estávamos aqui para salvar o mundo. No final ele disse que talvez estivesse na hora de voltar para o seu planeta.

Então vai em paz meu irmão... Vou cuidar de tudo por aqui pra você.

Definir é limitar.



Amamos a vida não porque nos habituamos com a vida,
Mas porque nos habituamos a amar.
// Nitzche

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quem mandou não se formar logo!

O dono da companhia onde trabalho resolveu este ano que quer ganhar mais dinheiro, e por isso resolveu, como todo empresário com deficiência intelectual, que a maneira mais rápida para isso seria cortando gastos com pessoal. Ele desperdiça toneladas de papel (e dinheiro), mas preferiu desperdiçar mão de obra qualificada e competente.

E como isso me prejudicou? Todos nós que ficamos tivemos que absorver o serviço que nossos ex-colegas faziam, e por conta disso agora eu estou, entre outras coisas, atendendo o público cliente.

E justamente hoje me apareceu uma daquelas figuras de se tirar o chapéu. Um cara que estava devendo prestações a perder de vista, e quando finalmente consegue pagá-las, vem ao banco cheio de pose e falando como se fosse dono de alguém lá dentro. Porque queria imediatamente que seu nome fosse retirado do Serasa, do jurídico, entre outras coisas. Quando tentei explicar para sua alteza que existe um processo burocrático que independe da pessoa que vos fala, ele perdeu a cabeça, e começou a citar nomes que não ajudariam em nada sua situação, como por exemplo, o diretor da agência.

(É incrível como algumas pessoas acham que saber o nome do diretor da agência lhes confere algum tipo de status ou regalias)

Ele estava irredutível. A cada vez que eu tentava explicar algo ele me cortava, e eu dizia que estava tentando ajudar, mas ele não estava permitindo. E sua esposa dizia a mesma coisa para ele. Na certa o sujeito pensava que eu iria me intimidar com toda a sua imponência e iria ceder a todas as suas vontades imperiais.

E como é de direito do cliente eu o encaminhei à Gerente, que rapidamente me chamou num canto para reclamar de eu ter-lhe repassado o cliente (mas se é direito do cliente, o que vou fazer, expulsá-lo!?).

Ela estava à margem de me desautorizar perante o cliente – coisa que eu reclamara poucos dias atrás numa reunião com uma supervisora da matriz, que veio de São Paulo só para escutar nossos problemas – e isso retira completamente nossa credibilidade e faz o procedimento institucional ir pelo ralo. Se ela tivesse “mexido os pauzinhos” para ajudá-lo, minha carta de demissão estaria em sua mesa no final da tarde.

Este post eu fiz em homenagem a todas as pessoas que tem de sofrer humilhações sem culpa alguma, nem pelo problema, nem pelo ruminante que grita e cospe saliva em suas caras. Não abaixem a cabeça. Não sejam reféns de clientes provincianos e chefes incompetentes.

sábado, 5 de julho de 2008

Nine Inch Nails

A primeira vez que ouvi essa música foi num clipe caseiro de uma menina chamada Sarah. Era muito sensual, mas não explícito. Conectado com essa música - com essa letra... É simplesmente a definiçao de Sexy!

{ Closer }

You let me violate you
you let me desecrate you
you let me penetrate you
you let me complicate you

Help me
I broke apart my insides
(Help me)
I've got no soul to sell
(Help me)
The only thing that works for me
Help me get away from myself

I want to fuck you like an animal
I want to feel you from the inside
I want to fuck you like an animal
My whole existence is flawed
You get me closer to god

You can have my isolation
You can have the hate that it brings
You can have my absence of faith
You can have my everything

(Help me)
Tear down my reason
(Help me)
It's your sex I can smell
(Help me)
You make me perfect
Help me become somebody else

I want to fuck you like an animal
I want to feel you from the inside
I want to fuck you like an animal
My whole existence is flawed
You get me closer to god

Through every forest
Above the trees
Within my stomach
Scraped off my knees
I drink the honey
Inside your hive
You are the reason
I stay alive

// Nine Inch Nails


domingo, 11 de maio de 2008

A versão dos fatos

O físico Leo Szilard certa vez anunciou ao amigo Hans Bethe que estava pensando em escrever um diário:

- Não pretendo publicar.
- Só vou registrar os fatos para a informação de Deus.

-- Você não acha que Deus sabe dos fatos?

- Sim,
- Ele sabe dos fatos, mas não desta versão dos fatos.

// Hans Christian Von Baeyer (Domando o Átomo)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Bon Jovi

"Todos os homens são heróis em seus sonhos" - Sigmund Freud.

Tudo começou quando o Bon Jovi veio ao Brasil na sua turnê do album Keep the Faith. Não acompanhei o show, mas ouvi mais tarde pela rádio Tranzamérica a música In These Arms e me apaixonei logo de primeira.

Nunca consegui gravar a versão ao vivo tocada aqui, mas um ano depois, quando chegara o aniversário de quinze anos de minha prima Ana Paula, e eu tinha acabado de saber que iria morar com minha mãe de agora em diante, fui até à loja americanas comprar um presente para ela. Lembro que tinha trinta reais para gastar. Estava procurando algum CD interessante que ela pudesse gostar, quando encontrei no meio daquele monte de caixas desorganizadas uma cópia do CD do Bon Jovi. Foi um arrepio só. Gritei de alegria (por dentro é claro). Acabei comprando o Cd pra mim e um outro do Barão Vermelho para ela - os dois estavam na promoção. Até hoje não sei se ela gostou do presente. Sei que gostei da festa e do meu CD.

Ficava ouvindo repetidamente no som do meu padrasto, com aquele readphone poderoso. Quase fico surdo de tão alto que ouvia as músicas, cada uma mais perfeita que a outra. Foi aí que comecei a gostar da banda, mas nunca comprei os CDs anteriores, apenas os que vinham sendo lançados depois.

Isso veio depois que comecei a gostar de Caetano Veloso, Chico Buarque e outros nomes da MPB. Depois de Bon Jovi, devo admitir que passei a gostar mais de músicas em inglês.

Fora a já citada In These Arms, devo dizer que minhas preferidas são Dry County, Bed of Roses, Keep the Faith, My Guitar Lies Bleeding In My Arms, Hey God, enfim... Mas para o vídeo eu escolhi uma música lançada muito tempo depois em 2005, que representa muito bem o espírito dessa banda que está unida há muito tempo e uma das poucas do "meu tempo" que gosto que ainda está unida até hoje.

Então aproveite a música e Have a nice day...



{ My Guitar Lies Bleeding In My Arms }

Misery likes company, I like the way that sounds
I've been trying to find the meaning, so I can write it down
Staring out the window, it's such a long way down
I'd like to jump, but I'm afraid to hit the ground

I can't write a love song the way I feel today
I can't sing no song of hope, I got nothing to say
Life is feeling kind of strange, since you went away
I sing this song to you wherever you are
As my guitar lies bleeding in my arms

I'm tired of watching TV, it makes me want to scream
Outside the world is burning, man it's so hard to belive
Each day you know you're dying from the cradle to the grave
I get so numb sometimes, that I can't feel the pain

...

Staring at the paper, I don't know what to write
I'll light my last cigarette-well, turn out the lights
Maybe tomorrow I'll fell a different way
But here im my delusion , I don't know what to say

...