terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sonhar ou Conquistar?

Ser Romântico ou Ser Conquistador?

(Uma analogia às escolhas da vida. Não tem nada haver com sexo!)

Estava seguindo no twitter, um microblog de uma garota (nunca se sabe) que posta apenas dicas sobre como pensam as garotas. Não sei se vou continuar seguindo, pois já percebi que as dicas apresentadas são na maioria, reflexos da personalidade dela, e não da maioria. E quando ela generaliza, geralmente vulgariza demais as mulheres.

Mas deu pra tirar algo de bom disso. Algumas dicas até refrescam a memória de quem já entende alguma coisa do universo feminino; outras já estão mais inéditas

Mas não estou aqui para falar de narcisistas, e sim, das escolhas que os homens tem que fazer perante a sociedade. Esse texto é difícil de fazer.

Dizem que as mulheres pensam em tudo, o tempo todos. Já os homens, bem… Nós pensamos em tudo antes de dormir… E depois dormimos… ou não.

Diferente dos que as mulheres acham, os homens não são todos iguais. Pois todo homem tem varias escolhas a fazer, que definem o caminho à frente (ou às laterais), e o que forma sua imagem social e até mesmo o seu caráter.

Exemplo Prático: Ser Romântico ou Ser Conquistador? No linguajar mais popular seria “ser sincero ou ser pegador” e definiria a noção de que o homem tem pelo menos uma escolha básica, que é mãe de muitas outras, e que definem seu comportamento perante as mulheres. Mas isso define o que ele pensa delas? Ou como ele fala delas para os amigos?

É certo de que um homem sincero, romântico e sonhador… é também um homem que sabe como “pegar uma mulher de jeito” e tem milhões de experiências para contar aos amigos. Pois afinal será que seus amigos vão pensar que você é sensível demais?

Prática do Exemplo: Onde trabalho, quase todos os homens do meu setor são machistas declarados, e falam o dia inteiro em bundas e peitos, e pernas e lábios… E quem não é machista ou quem prefere se abster e respeitar o sexo feminino como não sendo um simples pedaço de carne? Depende: o machista é o chefe ou o empregado? Se for o chefe, até o homem mais tímido terá de assumir uma postura mais flexível para não ser excluído do grupo dos que valem a pena salvar na hora de um corte no orçamento.

Sim, é verdade! A moral é flexível ao ponto de não romper com a auto-preservação. Todo ser humano é assim. Tem os que vivem em uma redoma de proteção erguida pelos pais e depois pelos maridos ou mulheres; e tem os que já foram até o fundo do poço e voltaram vivos porque escolheram dizer não aos seu próprios princípios, ou tiveram sorte, ou até mesmo foram resgatados ante da última gota.

Afinal, tanto para o homem quanto para a mulher, não existe somente esse dilema do título. O caminho de cada um é como uma arvore cheia de galhos e ramos, onde não passamos de formigas tentando subir o mais alto possível na vida, e pelo caminho temos sempre que parar por um momento e escolher se vamos para direita, esquerda, ou se voltamos um pouco e pegamos outro ramo que deixamos de escolher no passado. Às vezes não temos tempo de parar para pensar e somos obrigados a fazer escolhas precipitadas.

Porém, em alguns momentos muito especiais de nossas vidas, o próprio caminho (ou destino, como quiser) nos apresenta uma ou duas placas de aviso pelas suas estradas e rodovias, nos avisando dos perigos e das oportunidades à frente. Isso está acontecendo comigo agora. Tenho um longo caminho pela frente, mas me apareceu uma placa muito interessante, com os dizeres “amor, à trezentos metros vire à direita”. Devo seguir em frente, ou seguir as instruções para o que seria um novo recomeço ou uma armadilha da estrada?

São raros casos, como este, que eu posso dizer com certeza, que não há armadilhas nem caminhos esburacados. Só um caminho que está lá esperando por mim, para que eu possa caminhar por ele e aproveitar tudo de bom que ele possa me oferecer.

Mas até nestes comentos de certeza pura, há escolhas a fazer. Pois não basta saber qual caminho irá seguir ou trilhar. É preciso saber como ir em frente… muitas variáveis a considerar.



Someone falls to pieces
Sleeping all alone
Someone kills the pain
Spinning in the silence
She finally drifts away

Someone gets excited
In a chapel-yard
and catches a bouquet
Another lays a dozen
white roses on a grave
Yeah

[Chorus]
And to be yourself is all that you can do
Hey
To be yourself is all that you can do

Someone finds salvation in everyone
Another only pain
Someone tries to hide himself
Down inside himself he prays

Someone swears his true love
Until the end of time
Another runs away
Separate or united
Healthy or insane

[Chorus]
And be yourself is all that you can do
All that you can do
To be yourself is all that you can do
All that you can do
To be yourself is all that you can do
All that you can do
Be yourself is all that you can do

Even when you've paid enough
Been put upon or been held up
Every single memory of the good or bad
Faces of Luck
Don't lose any sleep tonight
I'm sure everything will end up alright
You may win or lose

[Chorus]
but be yourself is all that you can do (Yeah)
To be yourself is all that you can do (Oh)
To be yourself is all that you can do
All that you can do
To be yourself is all that you can do
All that you can do
To be yourself is all that you can
Be yourself is all that you can
Be yourself is all that you can do

// Audioslave – Be Yourself

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Librianas

Librianas são criaturas muito complexas. Extremamente atraentes, inteligentes e afetivas. Uma vez eu li em um daqueles livretos que explicam tudo sobre seu signo, que librianos e geminianos formam pares perfeitos…

Nisso eu já estava namorando a segunda libriana de minha vida. No total foram mais de cinco anos de namoro com librianas. Sou geminiano…

Esses relacionamentos não foram só flores… Mas foram muito intensos. Inclusive posso dizer com certeza que uma delas foi o amor de minha vida. Alguém que passou, mas deixou muita coisa boa. Já a outra, passou, e me levou muita coisa boa. Mas o tempo curou tudo…

Não sei se vou conhecer outra libriana de força no braço e no coração, que faça justiça ao livreto de signos. Que seja o amor definitivo.
Se é que existe tal…

librianas

domingo, 24 de janeiro de 2010

Religião

Todos que me conhecem, sabem que sou ateu.
Mas pouco sabem o que realmente significa ser ateu.

Alguns respeitam essa minha característica.
Outros criticam.
Alguns tentam argumentar.
Mas no final a razão sempre vence a suposição.
Mas isso não tem nada haver com fé.
Que eu respeito assim como o amor, a amizade e a justiça.

Demorei muito para escrever sobre isso.
Na verdade já tinha escrito um livro inteiro sobre isso em minha mente.
Mas como tudo é sempre muito complexo quando se fala nisso…
É prudente escolher as frases mais simples para começar.

Poderia começar falando das definições da língua portuguesa para religioso e ateu, mas isso já está muito batido (a não ser para quem nunca se importou em saber o que é uma coisa ou outra).
É verdade… Tem muita gente que acha que sabe, mas não sabe.
Que pensa que é religioso, mas não é.

Uma pessoa religiosa é aquela que segue à risca os preceitos, dogmas, mandamentos, etc., de sua religião.

Um ateu é uma pessoa que não tem a seguir, preceitos baseados em uma religião, mas que segue seus próprios preceitos, baseados em coisas diferentes, como ética, política, sociedade, amor, etc..

Cada ateu é diferente do outro. Cada pessoa tem seus motivos para ser um ateu. Por isso cada um segue seus desígnios.

Cada religioso é diferente, pois encherga sua religião de forma diferente, ou porque tem mais ou menos afinco com suas regras e demandas.
Nem todo mundo que se diz religioso segue realmente sua religião, mas acreditam todos em pelo menos uma coisa: na existência de um deus.

Alguns ateus acreditam em um deus. Outros não.
Quem acredita é chamado de agnóstico (ou sem religião); 
E quem não acredita é chamado de cético, quando tem uma visão extremamente solidificada dessa realidade.

Durante muito tempo eu fui um cético, e acreditei somente a pura lógica e razão. Mas mesmo as pedras podem mudar com o tempo e depois de mais de vinte anos acreditando nisso, hoje posso me dar o luxo de dizer que tudo pode ser verdade, assim como tudo pode ser mentira, até mesmo a vida que vivemos.

Mas não estamos aqui para descobrir isso, todos nós.
A maioria está aqui em outras missões pessoais.
Alguns vivem suas vidas em função de dar ou encontrar respostas que no final das contas não passam de puras suposições.
Por isso eu passei de orador e contra-argumentista àquele espectador que fica ali no canto… Rindo de todo esses esforço que os seres humanos fazem para tentar ser apenas criações de algo maior, ou que somos apenas o produto do acaso.

Se já estamos aqui mesmo…

Mas antes… Sai de perto!
Se você viesse questionar minha “escolha religiosa” deveria se preparar para ouvir uma aula de pelo menos horas de educação religiosa, histórica, geográfica, política, física, químia e biológica.

Porém sempre fiz de tudo para respeitar a religião dos outros, e só falava quando pediam minha opinião.

Hoje eu trato religião como qualquer outra palavra que existe:
Eu fecho os olhos, falo a palavra, e a descrevo como a primeira coisa que vem à minha mente quando penso nela.
O que vem a sua mente quando você escuta a palavra religião?

Quando ouço essa palavra, as primeiras imagens que vêm na minha mente é a interminável guerra entre muçulmanos e israelenses; a interminação rede de mentiras da igreja católica; é a mais recente mas não menos podre rede de corrupção das igrejas protestantes e sua exploração dos mais carentes e dos mais ingênuos; as queimas de livros e mulheres em praça pública; a intolerância dos extremistas e a preguiça dos centristas…

Com um currículo desses nas costas, não é de se adimirar que o homem adora a religião, assim como o futebol, assim como as apostas, assim como o boxe, assim como os partidos políticos… Pois na nossa natureza, está estampado com ferro em brasa, a nossa necessidade de escolher lados, de tomar partidos, de torçer a favor do nosso, e contra o do nosso vizinho.

Religião é só mais uma ferramente de auto-destruição.
Uma arma para quem não quer ter a responsabilidade de estar sozinho.
Que acha que o mundo está aob a supervisão de um ser maior que irá intervir caso nossos atos sejam catastróficos demais pra nós mesmo ou para o mundo onde vivemos. Para quem tem medo de morrer e não ter feito algo significativo em sua vida, e achar que terá uma segunda chance eterna em um lugar melhor. Ou simplesmente pra quem não tem para quem pedir nada ou não tem forças para ir em busca de seus sonhos.

No que eu acredito? Mantenha-se Faminto. Mantenha-se Tolo.

Stay Hungry. Stay Foolish.

Em 12 de junho de 2005, Steve Jobs, então presidente-executivo da Apple Computer e da Pixar Animation Studios, fez um discurso aos formandos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O texto em que Jobs fala de sua vida, de sua opção por não cursar uma faculdade e no qual dá alguns conselhos aos estudantes, ficou famoso e repercute até hoje, sendo volta e meia republicado e lembrado. Leia na íntegra o discurso. Ou então assista o vídeo.

Esta é minha religião, ou pelo algo algo que tento seguir…

"Estou honrado por estar aqui com vocês em sua formatura por uma das melhores universidades do mundo. Eu mesmo não concluí a faculdade. Para ser franco, jamais havia estado tão perto de uma formatura, até hoje. Pretendo lhes contar três histórias sobre a minha vida, agora. Só isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira é sobre ligar os pontos.

Eu larguei o Reed College depois de um semestre, mas continuei assistindo a algumas aulas por mais 18 meses, antes de desistir de vez. Por que eu desisti?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era jovem e não era casada; estava fazendo o doutorado, e decidiu que me ofereceria para adoção. Ela estava determinada a encontrar pais adotivos que tivessem educação superior, e por isso, quando nasci, as coisas estavam armadas de forma a que eu fosse adotado por um advogado e sua mulher. Mas eles terminaram por decidir que preferiam uma menina. Assim, meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam um telefonema em plena madrugada ¿"temos um menino inesperado aqui; vocês o querem?" Os dois responderam "claro que sim". Minha mãe biológica descobriu mais tarde que minha mãe adotiva não tinha diploma universitário e que meu pai nem mesmo tinha diploma de segundo grau. Por isso, se recusou a assinar o documento final de adoção durante alguns meses, e só mudou de idéia quando eles prometeram que eu faria um curso superior.

Assim, 17 anos mais tarde, foi o que fiz. Mas ingenuamente escolhi uma faculdade quase tão cara quanto Stanford, e por isso todas as economias dos meus pais, que não eram ricos, foram gastas para pagar meus estudos. Passados seis meses, eu não via valor em nada do que aprendia. Não sabia o que queria fazer da minha vida e não entendia como uma faculdade poderia me ajudar quanto a isso. E lá estava eu, gastando as economias de uma vida inteira. Por isso decidi desistir, confiando em que as coisas se ajeitariam. Admito que fiquei assustado, mas em retrospecto foi uma de minhas melhores decisões. Bastou largar o curso para que eu parasse de assistir às aulas chatas e só assistisse às que me interessavam.

Nem tudo era romântico. Eu não era aluno, e portanto não tinha quarto; dormia no chão dos quartos dos colegas; vendia garrafas vazias de refrigerante para conseguir dinheiro; e caminhava 11 quilômetros a cada noite de domingo porque um templo Hare Krishna oferecia uma refeição gratuita. Eu adorava minha vida, então. E boa parte daquilo em que tropecei seguindo minha curiosidade e intuição se provou valioso mais tarde. Vou oferecer um exemplo.

Na época, o Reed College talvez tivesse o melhor curso de caligrafia do país. Todos os cartazes e etiquetas do campus eram escritos em letra belíssima. Porque eu não tinha de assistir às aulas normais, decidi aprender caligrafia. Aprendi sobre tipos com e sem serifa, sobre as variações no espaço entre diferentes combinação de letras, sobre as características que definem a qualidade de uma tipografia. Era belo, histórico e sutilmente artístico de uma maneira inacessível à ciência. Fiquei fascinado.

Mas não havia nem esperança de aplicar aquilo em minha vida. No entanto, dez anos mais tarde, quando estávamos projetando o primeiro Macintosh, me lembrei de tudo aquilo. E o projeto do Mac incluía esse aprendizado. Foi o primeiro computador com uma bela tipografia. Sem aquele curso, o Mac não teria múltiplas fontes. E, porque o Windows era só uma cópia do Mac, talvez nenhum computador viesse a oferecê-las, sem aquele curso. É claro que conectar os pontos era impossível, na minha era de faculdade. Mas em retrospecto, dez anos mais tarde, tudo ficava bem claro.

Repito: os pontos só se conectam em retrospecto. Por isso, é preciso confiar em que estarão conectados, no futuro. É preciso confiar em algo - seu instinto, o destino, o karma. Não importa. Essa abordagem jamais me decepcionou, e mudou minha vida.

A segunda história é sobre amor e perda.

Tive sorte. Descobri o que amava bem cedo na vida. Woz e eu criamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhávamos muito, e em dez anos a empresa tinha crescido de duas pessoas e uma garagem a quatro mil pessoas e US$ 2 bilhões. Havíamos lançado nossa melhor criação - o Macintosh - um ano antes, e eu mal completara 30 anos.

Foi então que terminei despedido. Como alguém pode ser despedido da empresa que criou? Bem, à medida que a empresa crescia contratamos alguém supostamente muito talentoso para dirigir a Apple comigo, e por um ano as coisas foram bem. Mas nossas visões sobre o futuro começaram a divergir, e terminamos rompendo - mas o conselho ficou com ele. Por isso, aos 30 anos, eu estava desempregado. E de modo muito público. O foco de minha vida adulta havia desaparecido, e a dor foi devastadora.

Por alguns meses, eu não sabia o que fazer. Sentia que havia desapontado a geração anterior de empresários, derrubado o bastão que havia recebido. Desculpei-me diante de pessoas como David Packard e Rob Noyce. Meu fracasso foi muito divulgado, e pensei em sair do Vale do Silício. Mas logo percebi que eu amava o que fazia. O que acontecera na Apple não mudou esse amor. Apesar da rejeição, o amor permanecia, e por isso decidi recomeçar.

Não percebi, na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. O peso do sucesso foi substituído pela leveza do recomeço. Isso me libertou para um dos mais criativos períodos de minha vida.

Nos cinco anos seguintes, criei duas empresas, a NeXT e a Pixar, e me apaixonei por uma pessoa maravilhosa, que veio a ser minha mulher. A Pixar criou o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é hoje o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. E, estranhamente, a Apple comprou a NeXT, eu voltei à empresa e a tecnologia desenvolvida na NeXT é o cerne do atual renascimento da Apple. E eu e Laurene temos uma família maravilhosa.

Estou certo de que nada disso teria acontecido sem a demissão. O sabor do remédio era amargo, mas creio que o paciente precisava dele. Quando a vida jogar pedras, não se deixem abalar. Estou certo de que meu amor pelo que fazia é que me manteve ativo. É preciso encontrar aquilo que vocês amam - e isso se aplica ao trabalho tanto quanto à vida afetiva. Seu trabalho terá parte importante em sua vida, e a única maneira de sentir satisfação completa é amar o que vocês fazem. Caso ainda não tenham encontrado, continuem procurando. Não se acomodem. Como é comum nos assuntos do coração, quando encontrarem, vocês saberão. Tudo vai melhorar, com o tempo. Continuem procurando. Não se acomodem.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma citação que dizia algo como "se você viver cada dia como se fosse o último, um dia terá razão". Isso me impressionou, e nos 33 anos transcorridos sempre me olho no espelho pela manhã e pergunto, se hoje fosse o último dia de minha vida, eu desejaria mesmo estar fazendo o que faço? E se a resposta for "não" por muitos dias consecutivos, é preciso mudar alguma coisa.

Lembrar de que em breve estarei morto é a melhor ferramenta que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo do fracasso - desaparece diante da morte, que só deixa aquilo que é importante. Lembrar de que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar armadilha de temer por aquilo que temos a perder. Não há motivo para não fazer o que dita o coração.

Cerca de um ano atrás, um exame revelou que eu tinha câncer. Uma ressonância às 7h30min mostrou claramente um tumor no meu pâncreas - e eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que era uma forma de câncer quase certamente incurável, e que minha expectativa de vida era de três a seis meses. O médico me aconselhou a ir para casa e organizar meus negócios, o que é jargão médico para "prepare-se, você vai morrer".

Significa tentar dizer aos seus filhos em alguns meses tudo que você imaginava que teria anos para lhes ensinar. Significa garantir que tudo esteja organizado para que sua família sofra o mínimo possível. Significa se despedir.

Eu passei o dia todo vivendo com aquele diagnóstico. Na mesma noite, uma biópsia permitiu a retirada de algumas células do tumor. Eu estava anestesiado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células ao microscópio começaram a chorar, porque se tratava de uma forma muito rara de câncer pancreático, tratável por cirurgia. Fiz a cirurgia, e agora estou bem.

Nunca havia chegado tão perto da morte, e espero que mais algumas décadas passem sem que a situação se repita. Tendo vivido a situação, posso lhes dizer o que direi com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito útil mas puramente intelectual.

Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que desejam ir para o céu prefeririam não morrer para fazê-lo. Mas a morte é o destino comum a todos. Ninguém conseguiu escapar a ela. E é certo que seja assim, porque a morte talvez seja a maior invenção da vida. É o agente de mudanças da vida. Remove o velho e abre caminho para o novo. Hoje, vocês são o novo, mas com o tempo envelhecerão e serão removidos. Não quero ser dramático, mas é uma verdade.

O tempo de que vocês dispõem é limitado, e por isso não deveriam desperdiçá-lo vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixem aprisionar por dogmas - isso significa viver sob os ditames do pensamento alheio. Não permitam que o ruído das outras vozes supere o sussurro de sua voz interior. E, acima de tudo, tenham a coragem de seguir seu coração e suas intuições, porque eles de alguma maneira já sabem o que vocês realmente desejam se tornar. Tudo mais é secundário.

Quando eu era jovem, havia uma publicação maravilhosa chamada The Whole Earth Catalog, uma das bíblias de minha geração. Foi criada por um sujeito chamado Stewart Brand, não longe daqui, em Menlo Park, e ele deu vida ao livro com um toque de poesia. Era o final dos anos 60, antes dos computadores pessoais e da editoração eletrônica, e por isso a produção era toda feita com máquinas de escrever, Polaroids e tesouras. Era como um Google em papel, 35 anos antes do Google - um projeto idealista e repleto de ferramentas e idéias magníficas.

Stewart e sua equipe publicaram diversas edições do The Whole Earth Catalog, e quando a idéia havia esgotado suas possibilidades, lançaram uma edição final. Estávamos na metade dos anos 70, e eu tinha a idade de vocês. Na quarta capa da edição final, havia uma foto de uma estrada rural em uma manhã, o tipo de estrada em que alguém gostaria de pegar carona. Abaixo da foto, estava escrito "Permaneçam famintos. Permaneçam tolos". Era a mensagem de despedida deles. Permaneçam famintos. Permaneçam tolos. Foi o que eu sempre desejei para mim mesmo. E é o que desejo a vocês em sua formatura e em seu novo começo.

Mantenham-se famintos. Mantenham-se tolos.
Muito obrigado a todos."

Fonte: Site da Universidade de Stanford
Tradução: Paulo Migliacci ME


Um defeito na Mulher

Quando Deus fez a mulher já estava em seu sexto dia de trabalho fazendo horas extras.

Um anjo apareceu e lhe disse: - Por que leva tanto tempo nisto?

E o Senhor respondeu: - Já viu a minha ficha de especificações para ela?

Deve ser completamente lavável, mas sem ser de plástico, ter mais de 200 peças móveis e ser capaz de funcionar com uma dieta de qualquer coisa, até sobras, ter um colo que possa acomodar quatro crianças ao mesmo tempo, ter um beijo que possa curar desde um joelho arranhado até um coração partido e fará tudo isto somente com duas mãos.

O anjo se maravilhou com as especificações. 

- Somente duas mãos... Impossível! E este é somente o modelo básico? É muito trabalho para um dia... Espere até amanhã para terminá-la.

- Isso não! - Protestou o Senhor. - Estou tão perto de terminar esta criação que é favorita de meu próprio coração. Ela se cura sozinha quando está doente e pode trabalhar jornadas de 18 horas.

O anjo se aproximou mais e tocou a mulher.

- Mas o Senhor a fez tão suave...  

- É suave. - Disse Deus. - Mas a fiz também forte. Você não tem idéia do que pode agüentar ou conseguir.

- Será capaz de pensar? - Perguntou o anjo.  

Deus respondeu:

- Não somente será capaz de pensar, mas também de raciocinar e de negociar.

O anjo então notou algo e estendendo a mão tocou a bochecha da mulher...

- Senhor, parece que este modelo tem um vazamento... Eu lhe disse que estava colocando muita coisa nela...

- Isso não é nenhum vazamento... É uma lágrima. - Corrigindo-o o Senhor...

- Para que serve a lágrima? - Perguntou o anjo.

E Deus disse:

- As lágrimas são sua maneira de expressar seu destino, sua pena, seu desengano, seu amor, sua solidão, seu sofrimento, e seu orgulho. 

Isto impressionou muito ao anjo.

- O Senhor é um gênio, pensou em tudo. A mulher é verdadeiramente maravilhosa
- Sim é! A mulher tem forças que maravilham aos homens; Agüentam dificuldades, levam grandes cargas, mas têm felicidade, amor e alegria; Sorriem quando querem gritar; Cantam quando querem chorar; Choram quando estão felizes e riem quando estão nervosas; Lutam pelo que crêem; Enfrentam à injustiça; Não aceitam 'não' como resposta quando elas crêem que há uma solução melhor; Privam-se para que a sua família possa ter; Vão ao médico com uma amiga que tem medo de ir; Amam incondicionalmente; Choram quando seus filhos triunfam e se alegram quando seus amigos ganham prêmios; Ficam felizes quando ouvem sobre um nascimento ou um casamento; Seu coração se parte quando morre uma amiga; Sofrem com a perda de um ente querido, entretanto são fortes quando pensam que já não há mais forças; Sabem que um beijo e um abraço podem ajudar a curar um coração partido.

- Entretanto, há um defeito na mulher:

É que ela se esquece o quanto vale.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Realizações Esquecidas

Eis que te pergunto o seguinte: e se você pudesse lembrar absolutamente tudo o que aconteceu na sua vida, desde que você nasceu, até hoje?
Provavelmente a resposta seria outra pergunta: Por que isso agora!?

Tentando resolver um dilema pessoa, acabei caindo nesse poço. Estava eu tentando entender por que, apensar de ter tido um passado pouco mais distante de realizações pessoais e amorosas, aventuras e vitórias… Por que então eu me sentia triste por causa de uma simples derrota mais recente – de ter sido passado para trás por alguém que eu confiava…
Por quê?

E como sempre, a razão em minha mente síngula (se é que existe essa palavra) me veio com uma resposta expectavelmente científica:
Esquecer… Deixar para trás… Um mero mecanismo de defesa biológico humano.

Esquecer: comer, digerir, re-digerir e expurgar… Algo que faz com que, ao mesmo tempo que esqueça que você conquistou o amor da sua vida naquela noite de brisa fresca e cheiro de jasmim, e que vocês fizeram amor pela primeira vez no quarto ao lado de onde as suas amigas (que te adoram) estavam assistindo tv – é ao mesmo tempo, o que faz você esquecer que ela te abandonou porque as outras amigas dela (que te odeiam) ficaram te difamando por um ano inteiro sem provas, mas conseguindo te deixar com umas pulgas atrás da orelha, fazendo com que seu relacionamento fosse perdendo os alicerces…

Bom, isso é apenas uma fábula antiga, onde eu uso o termo esquecer, quando na verdade o mais correto seria: marcar essas memórias como latentes, porém com um nível de excitação nervosa inferior aos acontecimentos mais recentes.

Isso significa que você não se esqueceu de nada. Mas que a memória está adormecida, e já não causa mais palpitações em seu coração, a não ser que vários fatores relacionados aconteçam todos de uma vez, fazendo com que você lembre tudo com a mesma intensidade, como se tudo aquilo tivesse ocorrido ontem… mas foi à quase dez anos… como se fosse algum tipo de chave mágica ou combinação de segurança…
Entendeu?

Então por que eu devo me importar se uma dissimulada qualquer me fez desperdiçar dois anos de minha vida só porque não consegue sossegar seu fecho de opti ou ykk quando eu posso simplesmente liberar a minha memória de todas as minhas glórias e momentos de felicidades com outras pessoas e em outros lugares maravilhosos em algum momento de minha vida?

Será que é pelo fato de eu mesmo não ter a chave para abrir essas portas? Ou será que é pelo fato de eu ainda estar vivo e por esse motivo tenho oportunidade de coletar mais momentos maravilhosos em minha vida, e que sejam mais recentes e melhor aproveitados?

Como resposta possível, volto mais uma vez no tempo com o texto que escrevi sobre o filme em busca da felicidade.

E depois de ler este texto, descobre-se que a tal dissimulada ordinária abriu o fecho mais do que deveria por não se sentir realizada, pois quem se realizou hoje, não necessariamente estará se sentindo realizado amanhã… por isso a felicidade é por si só um busca, e não um diploma – é como almoçar todos os dias: se você não almoça hoje, faz falta depois – mas se almoçar neste dia, vai precisar comer amanhã de qualquer jeito…

É o mesmo motivo pelo qual escrevi esse texto, e pensei sobre todas essas coisas, e lembrei-me de todas as minhas vitórias, e lembrei-me de todas as minhas decepções… porque nós, meros e limitados seres humanos, nunca vamos estar satisfeitos. Não importa o quanto comemos, sempre iremos digerir, expurgar, e depois vamos à procura de mais… o que?

Tem alguém especial me pedindo um conto erótico… mais uma pequena realização a ser cumprida.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Olho gordo na Amazônia

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr. Cristovam Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso."

"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade."

"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."

"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação."

"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado."

"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro."

"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil."

"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro."

"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!"