sábado, 23 de janeiro de 2010

Realizações Esquecidas

Eis que te pergunto o seguinte: e se você pudesse lembrar absolutamente tudo o que aconteceu na sua vida, desde que você nasceu, até hoje?
Provavelmente a resposta seria outra pergunta: Por que isso agora!?

Tentando resolver um dilema pessoa, acabei caindo nesse poço. Estava eu tentando entender por que, apensar de ter tido um passado pouco mais distante de realizações pessoais e amorosas, aventuras e vitórias… Por que então eu me sentia triste por causa de uma simples derrota mais recente – de ter sido passado para trás por alguém que eu confiava…
Por quê?

E como sempre, a razão em minha mente síngula (se é que existe essa palavra) me veio com uma resposta expectavelmente científica:
Esquecer… Deixar para trás… Um mero mecanismo de defesa biológico humano.

Esquecer: comer, digerir, re-digerir e expurgar… Algo que faz com que, ao mesmo tempo que esqueça que você conquistou o amor da sua vida naquela noite de brisa fresca e cheiro de jasmim, e que vocês fizeram amor pela primeira vez no quarto ao lado de onde as suas amigas (que te adoram) estavam assistindo tv – é ao mesmo tempo, o que faz você esquecer que ela te abandonou porque as outras amigas dela (que te odeiam) ficaram te difamando por um ano inteiro sem provas, mas conseguindo te deixar com umas pulgas atrás da orelha, fazendo com que seu relacionamento fosse perdendo os alicerces…

Bom, isso é apenas uma fábula antiga, onde eu uso o termo esquecer, quando na verdade o mais correto seria: marcar essas memórias como latentes, porém com um nível de excitação nervosa inferior aos acontecimentos mais recentes.

Isso significa que você não se esqueceu de nada. Mas que a memória está adormecida, e já não causa mais palpitações em seu coração, a não ser que vários fatores relacionados aconteçam todos de uma vez, fazendo com que você lembre tudo com a mesma intensidade, como se tudo aquilo tivesse ocorrido ontem… mas foi à quase dez anos… como se fosse algum tipo de chave mágica ou combinação de segurança…
Entendeu?

Então por que eu devo me importar se uma dissimulada qualquer me fez desperdiçar dois anos de minha vida só porque não consegue sossegar seu fecho de opti ou ykk quando eu posso simplesmente liberar a minha memória de todas as minhas glórias e momentos de felicidades com outras pessoas e em outros lugares maravilhosos em algum momento de minha vida?

Será que é pelo fato de eu mesmo não ter a chave para abrir essas portas? Ou será que é pelo fato de eu ainda estar vivo e por esse motivo tenho oportunidade de coletar mais momentos maravilhosos em minha vida, e que sejam mais recentes e melhor aproveitados?

Como resposta possível, volto mais uma vez no tempo com o texto que escrevi sobre o filme em busca da felicidade.

E depois de ler este texto, descobre-se que a tal dissimulada ordinária abriu o fecho mais do que deveria por não se sentir realizada, pois quem se realizou hoje, não necessariamente estará se sentindo realizado amanhã… por isso a felicidade é por si só um busca, e não um diploma – é como almoçar todos os dias: se você não almoça hoje, faz falta depois – mas se almoçar neste dia, vai precisar comer amanhã de qualquer jeito…

É o mesmo motivo pelo qual escrevi esse texto, e pensei sobre todas essas coisas, e lembrei-me de todas as minhas vitórias, e lembrei-me de todas as minhas decepções… porque nós, meros e limitados seres humanos, nunca vamos estar satisfeitos. Não importa o quanto comemos, sempre iremos digerir, expurgar, e depois vamos à procura de mais… o que?

Tem alguém especial me pedindo um conto erótico… mais uma pequena realização a ser cumprida.

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